Outorga IAT 2026: tipos, prazos de validade e como solicitar no Paraná
A outorga de direito de uso da água é um tema essencial para a gestão hídrica no Brasil. Ela regula o uso e a exploração dos recursos hídricos, garantindo que o consumo da água seja feito de forma mais equilibrada. A seguir, abordaremos as principais questões sobre a outorga IAT, seus tipos, quando é necessária e como solicitá-la.

A gestão dos recursos hídricos no Brasil é um tema crucial, especialmente quando consideramos que, segundo o Relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil , aproximadamente 84% da água extraída no país é destinada à irrigação, abastecimento urbano e indústrias.
Para garantir a disponibilidade e a qualidade da água para todas as suas diversas finalidades, a Lei das Águas foi instituída em 1997, criando uma série de instrumentos essenciais, como a outorga. Este mecanismo não apenas assegura o uso responsável dos recursos hídricos, mas também garante o direito de acesso à água para todos os cidadãos.
No Paraná, o processo de outorga foi regulamentado com base na Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei Estadual n.º 12.726/1999), com detalhes específicos definidos pelo Decreto Estadual n.º 9.957/2014 e pela Instrução Normativa IAT n.º 6/2023. Estes regulamentos estabelecem as diretrizes para a utilização equilibrada da água, protegendo esse bem tão essencial para a vida de todos.
- O que é outorga da água?
- Quando a outorga é necessária?
- Quais são os tipos de outorga IAT?
- Qual o prazo de validade da outorga IAT em 2026?
- É obrigatório fazer outorga?
- Quais atividades precisam de outorga IAT?
- Quais usos não precisam de outorga?
- Qual profissional faz outorga?
- Quando solicitar a outorga?
- Como solicitar a outorga IAT no Paraná?
- Quanto custa tirar a outorga?
- Quais documentos são necessários?
- A outorga tem condicionantes?
- Como não perder o prazo de renovação
- Já uso água sem documento. O que fazer?
- O que acontece se não fizer outorga?
- Perguntas frequentes sobre outorga IAT
- Conclusão
O que é outorga da água?
A outorga de direito de uso de recursos hídricos é o ato pelo qual o Estado do Paraná autoriza, por prazo determinado e sob condições, o uso da água de domínio estadual. No Paraná, quem emite esse documento é o Instituto Água e Terra (IAT).
São de domínio estadual as águas subterrâneas (poços) e as águas superficiais (rios, córregos e nascentes) que não pertencem à União. Você pode conferir a dominialidade do rio neste mapa da ANA.
A base legal no Paraná é a Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei Estadual nº 12.726/1999), o Decreto Estadual nº 9.957/2014, a Instrução Normativa IAT nº 06/2023, que trata dos usos insignificantes, a Portaria IAT nº 560/2025, que define os prazos de validade, e a Instrução Normativa IAT nº 09/2026, que integra a outorga de poço ao licenciamento ambiental. Em nível nacional, vale a Lei das Águas (Lei nº 9.433/1997).
Quando a outorga é necessária?
Sempre que o uso ou a intervenção puder alterar a quantidade ou a qualidade da água. Os casos mais comuns são:
- captação de água em poços (subterrânea);
- captação em rios, córregos e nascentes (superficial);
- lançamento de efluentes tratados em rios e córregos;
- obras hidráulicas, como barragens, e serviços de desassoreamento.
Quais são os tipos de outorga IAT?
O documento certo depende do volume de água, da finalidade e da fase do empreendimento:
- Anuência Prévia: ato que autoriza a perfuração de um poço, conforme a IN IAT nº 09/2026. Vale até 1 ano e é revogada quando sai a Outorga Prévia, a Outorga de Direito ou a Declaração de Uso Independente de Outorga.
- Outorga Prévia: reserva a vazão para um empreendimento que ainda vai ser implantado. Não autoriza o uso da água, apenas garante a disponibilidade enquanto o projeto é licenciado.
- Outorga de Direito: autoriza o uso da água por prazo determinado e com condicionantes. É o documento que a atividade precisa para operar.
- Declaração de Uso Independente de Outorga: antiga “dispensa de outorga” ou “cadastro de uso insignificante”. Comprova que a captação ou o lançamento está abaixo dos limites que exigem outorga, mas o cadastro continua obrigatório.
- Declaração de Intervenção Independente de Outorga: nova categoria criada pela Portaria 560/2025 para intervenções de pequeno porte, como desassoreamentos e outras obras de baixo impacto, que não exigem outorga mas precisam ser declaradas.
Quer saber se o seu caso se enquadra como uso independente de outorga? Leia: Dispensa de Outorga IAT no Paraná: quem pode, como fazer e o que mudou.
Qual o prazo de validade da outorga IAT em 2026?
A Portaria IAT nº 560/2025 fixou os prazos máximos de cada documento:
| Documento | Finalidade | Validade máxima |
| Anuência Prévia | Qualquer uso | Até 1 ano |
| Declaração de Uso Independente de Outorga | Usos insignificantes (captação e lançamento) | Até 6 anos |
| Declaração de Intervenção Independente de Outorga | Desassoreamento | Até 2 anos, renovável |
| Declaração de Intervenção Independente de Outorga | Demais intervenções | Até 10 anos |
| Outorga Prévia | Aproveitamento hidrelétrico | Até 3 anos, renovável |
| Outorga Prévia | Lançamento de efluentes de empreendimentos de saneamento | Até 3 anos, renovável |
| Outorga Prévia | Lançamento de efluentes de outros empreendimentos, derivações, captações superficiais e subterrâneas, dragagem minerária, desassoreamento e obras hidráulicas | Até 2 anos, renovável |
| Outorga de Direito | Aproveitamento hidrelétrico e obras hidráulicas | Até 10 anos, renovável |
| Outorga de Direito | Captações superficiais e subterrâneas de saneamento para abastecimento público | Até 10 anos, renovável |
| Outorga de Direito | Lançamento de efluentes, derivações e captações superficiais e subterrâneas dos demais empreendimentos | Até 6 anos, renovável |
| Outorga de Direito | Dragagem minerária e desassoreamento | Até 5 anos, renovável |

Na prática: uma indústria, um condomínio ou uma propriedade rural que capta água de poço ou lança efluente tratado em rio recebe Outorga de Direito com validade de até 6 anos. Se o uso for insignificante, a Declaração de Uso vale até 6 anos também.
Se você quer saber se o seu caso se enquadra como Dispensa de Outorga, acesse este artigo:
Dispensa de Outorga IAT, no Paraná: Como Não Precisar de Outorga?
Quando o IAT pode emitir com prazo menor?
Os prazos da tabela são o teto. O IAT pode reduzir a validade quando, por exemplo:
- o pedido foi protocolado pelo e-Protocolo (físico ou digital), e não pelo SIGARH;
- a demanda de água não é compatível com a disponibilidade hídrica;
- o ponto de captação está em área de conflito ou crítica de disponibilidade;
- a área é vulnerável a impactos geotécnicos;
- a captação é emergencial;
- existem metas progressivas ou condicionantes com prazo menor;
- há previsão de readequação do uso da água pelo empreendimento;
- é preciso compatibilizar o prazo com a licença ambiental;
- a outorga foi transferida de titular e herda o prazo que restava.
Para poços, a IN IAT nº 09/2026 traz mais um caso: quem tem licença ambiental vencida e não tem outorga recebe, na regularização, uma Outorga de Direito de até 2 anos.
Para concessionárias de serviço público, a outorga não pode ultrapassar o prazo do contrato de concessão. Para hidrelétricas, não pode ultrapassar a concessão ou autorização da ANEEL.
Dica Mawé: como o prazo da outorga pode ser alinhado ao da licença ambiental, vale planejar os dois processos juntos. Isso evita renovar documentos em datas diferentes e pagar taxas duas vezes em pouco tempo.
É obrigatório fazer outorga?
Sim. Todo uso de recursos hídricos estaduais precisa de um documento do IAT: a outorga, quando o volume é significativo, ou a Declaração de Uso Independente de Outorga, quando o uso é insignificante. Se a atividade é passível de licenciamento ambiental, o documento de outorga também será exigido no processo de licença.
Quais atividades precisam de outorga IAT?
- abastecimento de condomínios residenciais e uso industrial;
- irrigação;
- geração de energia em hidrelétricas;
- barragens para acúmulo de água;
- lançamento de efluentes tratados de indústrias e estações de tratamento de esgoto;
- dragagem minerária e desassoreamento.
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Quais usos não precisam de outorga?
Pela IN IAT nº 06/2023, alguns usos são considerados insignificantes. Eles não precisam de outorga, mas precisam da Declaração de Uso Independente de Outorga:
- captação em rios, córregos e nascentes estaduais de até 1,8 m³/h, exceto aquicultura;
- captação individual em poço de até 10 m³/h, sem ultrapassar 20 m³/dia;
- captação em poço para abastecimento de núcleos de até 400 habitantes, com até 10 m³/h e 60 m³/dia;
- abastecimento de pequenos grupos, como chácaras e pequenas propriedades.
Outros usos não precisam nem de outorga nem de declaração, como captação de água da chuva, píeres e trapiches flutuantes, travessias aéreas de linhas de energia e lançamento concentrado de águas pluviais.
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Qual profissional faz outorga?
O pedido deve ter um responsável técnico habilitado, como engenheiro ambiental, engenheiro civil, geólogo ou geógrafo, conforme o tipo de estudo. É esse profissional que elabora o estudo hidrológico, os cálculos de vazão e os projetos exigidos.
Quem emite o documento é o IAT, para águas estaduais, ou a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), para rios de domínio da União.
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Quando solicitar a outorga?
Antes de começar a usar a água. Para poços (captação subterrânea), a Instrução Normativa IAT nº 09/2026 definiu a ordem exata entre outorga e licenciamento ambiental:
| Situação do empreendimento | Sequência |
| Licença monofásica (DLAM, LAC ou LAS), poço ainda não perfurado | Anuência Prévia → licença → Outorga de Direito ou DUIO |
| Licença monofásica, poço já perfurado | Outorga Prévia ou DUIO → licença → Outorga de Direito |
| Licença trifásica (LP, LI e LO) | Anuência Prévia → LP → Outorga de Direito ou DUIO → LI → LO |
| Tem licença, não tem outorga e vai renovar a licença | Pedido de renovação da licença → pedido de Outorga de Direito com o protocolo da renovação → Outorga de Direito ou DUIO → licença renovada |
| Tem licença vencida e não tem outorga | Pedido de regularização (DLAM, LAC, LIR, LASR ou LOR) → pedido de Outorga de Direito com o protocolo → Outorga de Direito de até 2 anos ou DUIO → licença de regularização |
| Não tem outorga nem licença | Outorga Prévia ou DUIO → licença (DLAM, LAC, LIR, LASR ou LOR) → Outorga de Direito |
A Anuência Prévia é o ato que autoriza a perfuração do poço. Quando a Outorga de Direito sai depois da licença, ela entra como condicionante da licença. Se o uso for insignificante, a DUIO dispensa a Outorga de Direito.

Para captações superficiais e lançamento de efluentes, a IN 09/2026 não se aplica. Nesses casos, atividades que já têm licença ambiental, ou que não são passíveis de licenciamento, solicitam diretamente a Outorga de Direito ou a regularização da Outorga de Direito.
Como solicitar a outorga IAT no Paraná?
Desde a implantação da outorga eletrônica, o pedido é feito no SIGARH, o sistema do IAT. Pedidos fora dele podem sair com prazo de validade reduzido.
- Defina o volume de água a captar ou a lançar.
- Verifique se a atividade é passível de licença ambiental.
- Identifique o documento correto: anuência, outorga prévia, outorga de direito ou declaração.
- Reúna os documentos e estudos técnicos.
- Preencha o requerimento no SIGARH – IAT.
- Pague a taxa de análise.
- Acompanhe a análise técnica e responda às pendências no prazo.
Quanto custa tirar a outorga?
O custo depende da finalidade, do tipo de documento, das taxas do IAT e dos estudos técnicos necessários. Para saber a taxa do IAT, use o simulador abaixo.
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Quais documentos são necessários?
Documentos básicos:
- RG e CPF do requerente;
- Certidão Negativa de Débitos Ambientais;
- comprovante de CNPJ e contrato social, no caso de empresa;
- matrícula atualizada do imóvel.
Documentos específicos, conforme o caso:
- estudo hidrológico;
- memorial ou planilha de dimensionamento, plantas, cortes e detalhes da obra;
- Certidão de Uso e Ocupação do Solo;
- fluxograma do processo;
- anuência de outros órgãos, quando exigida.
A outorga tem condicionantes?
Sim. Assim como a licença ambiental, a outorga traz condicionantes, como monitoramento de vazão, envio de relatórios e instalação de hidrômetro. Cumprir essas exigências é requisito para renovar o documento. Pela Portaria 560/2025, condicionantes com prazo curto também podem reduzir a validade da outorga.

Como não perder o prazo de renovação
A outorga vencida equivale a uso irregular da água. Para não correr esse risco:
- anote a data de vencimento assim que receber o documento;
- solicite a renovação com pelo menos 90 dias de antecedência;
- mantenha os relatórios de condicionantes em dia;
- se a licença ambiental vence em data próxima, peça a compatibilização dos prazos.
Se a licença ambiental for renovada enquanto a outorga do poço também está em renovação, o IAT pode aceitar a outorga como condicionante, sem parar a análise da licença. E qualquer mudança nos dados técnicos ou na operação do poço precisa ser comunicada ao IAT (IN 09/2026, arts. 7º e 9º).
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Já uso água sem documento. O que fazer?
Regularize o quanto antes. O primeiro passo é medir a vazão real e identificar se o seu caso é de outorga ou de Declaração de Uso Independente de Outorga. Procurar o IAT de forma espontânea costuma ser bem menos custoso do que regularizar depois de uma autuação.
O que acontece se não fizer outorga?
O uso de água sem o documento do IAT pode gerar multa, perda ou suspensão da licença ambiental e até embargo da atividade.
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Perguntas frequentes sobre outorga IAT
Quanto tempo vale a outorga de poço no Paraná?
Para a maioria dos empreendimentos, a Outorga de Direito de captação subterrânea vale até 6 anos. Para abastecimento público por empresa de saneamento, até 10 anos.
Quanto tempo vale a dispensa de outorga do IAT?
A antiga dispensa, hoje chamada Declaração de Uso Independente de Outorga, vale até 6 anos desde a Portaria IAT nº 560/2025.
Qual a validade da outorga prévia?
Até 3 anos para hidrelétricas e para lançamento de efluentes de saneamento, e até 2 anos para os demais casos. Em todos eles, é renovável.
O que é a Declaração de Intervenção Independente de Outorga?
É o documento para intervenções de baixo impacto que não exigem outorga. Vale até 2 anos para desassoreamento e até 10 anos para as demais intervenções.
A outorga sempre sai com o prazo máximo?
Não. O IAT pode reduzir o prazo em áreas críticas, em captações emergenciais, para compatibilizar com a licença ambiental, entre outros casos.
Qual portaria define os prazos da outorga no Paraná?
A Portaria IAT nº 560, de 16 de setembro de 2025, publicada em 17 de setembro de 2025. Ela revogou as Portarias IAT nº 125/2022 e nº 226/2022.
Preciso de autorização do IAT para perfurar um poço?
Sim. Pela IN IAT nº 09/2026, a perfuração depende da Anuência Prévia. Depois da licença ambiental, vem a Outorga de Direito ou a DUIO.
Conclusão
Com a Portaria IAT nº 560/2025, a Declaração de Uso passou a valer até 6 anos, as intervenções ganharam documento próprio e cada modalidade de outorga tem um prazo máximo claro. Para quem usa água de poço ou rio no Paraná, isso significa menos renovações, desde que o pedido seja bem instruído no SIGARH e alinhado ao licenciamento ambiental.
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